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Síndico: destituição além das finanças

Redação
Atualizado pela última vez em: 26/08/2026 13:39
Redação
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3 minutos de leitura
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A destituição de síndico costuma ser associada a desvios financeiros ou à falta de prestação de contas. Embora graves, esses fatores não esgotam o tema. O Código Civil admite a destituição do gestor que pratica irregularidades, não presta contas ou não administra convenientemente. Decisões administrativas, fiscais e de privacidade também podem comprometer a confiança coletiva.
Nosso escritório já atuou em diversos casos envolvendo destituição de síndicos. Em muitos deles, empresas de auditoria foram contratadas e apontaram fragilidades como despesas extraordinárias sem previsão, ausência de autorização do conselho, falta de ratificação em assembleia, contratos frágeis e obras iniciadas sem observância dos procedimentos internos. Analisadas tecnicamente, essas falhas deixam de ser meros problemas operacionais e revelam risco de gestão.
Um exemplo recorrente está nos gastos extraordinários não urgentes: Situações emergenciais podem exigir ação imediata, especialmente quando envolvem segurança ou preservação do patrimônio. Mas despesas relevantes exigem transparência, orçamentos, justificativa e deliberação dos condôminos. O mesmo vale para obras e benfeitorias: a vontade do síndico não substitui a assembleia, sobretudo quando lei, convenção ou regimento exigem quórum específico. Classificar melhoria estética como reparo urgente ou contratar obra sem aprovação adequada fragiliza a decisão e alimenta conflitos.
Há também o risco fiscal: Condomínios contratam limpeza, vigilância, manutenção, portaria, reformas e serviços profissionais. Nessas relações, é preciso exigir nota fiscal, verificar a regularidade do prestador, observar retenções tributárias e cumprir obrigações trabalhistas e previdenciárias. Contratações informais, ausência de recolhimentos, simulação de serviços ou sonegação não são atalhos administrativos: podem gerar autuações, multas e passivos para todos. Com a reforma tributária, esse cuidado ganha relevância, pois contratos de serviços poderão sofrer impactos em preços, notas fiscais e renegociações.
Outro ponto decisivo é a LGPD: Cadastros de moradores, imagens de câmeras, registros de visitantes, biometria, placas de veículos e ocorrências internas envolvem dados pessoais. O condomínio pode tratar essas informações para segurança e administração, mas deve respeitar necessidade, sigilo, controle de acesso e finalidade. Expor moradores em grupos, divulgar inadimplência, fornecer imagens sem critério ou compartilhar dados internos com terceiros pode gerar responsabilidade para o condomínio e para o síndico.
Por isso, a assessoria jurídica e contábil não deve ser vista como custo, mas como proteção. Ela resguarda o condomínio e os condôminos, mas também protege o próprio síndico, que passa a decidir com mais segurança, documentação e alinhamento às normas. A destituição pode decorrer de ato isolado grave ou de um conjunto de condutas que demonstre gestão temerária. Quando o síndico ignora assembleias, conselhos, quóruns, tributos e privacidade, deixa de administrar convenientemente. Prevenção, orientação técnica e transparência preservam a confiança e a segurança jurídica condominial.

Contato: 22 999310631 | e-mail: [email protected]

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