O período de festas de fim de ano, tradicionalmente marcado por confraternizações e maior circulação de pessoas nas ruas e áreas comuns, também foi cenário de episódios preocupantes envolvendo problemas estruturais em edificações residenciais em diferentes regiões do país. Casos registrados em cidades como Praia Grande (SP), João Pessoa (PB) e Guarapari (ES) revelam uma realidade que preocupa especialistas: a negligência com a manutenção predial pode transformar pequenos sinais em grandes tragédias.
Fachada desaba sobre trailer em área movimentada
Na noite do dia 24 de dezembro, no bairro Canto do Forte, em Praia Grande, litoral de São Paulo, um grupo de pessoas foi surpreendido por um forte estrondo enquanto se alimentava em um trailer localizado na Avenida Marechal Maurício José Cardoso. Partes da fachada de um edifício — incluindo pastilhas, cimento e esquadria metálica de uma janela — se desprenderam e despencaram sobre o local.
Apesar do susto, o episódio resultou apenas em danos materiais e ferimentos leves. Uma senhora que estava sentada em um banco na calçada foi atingida por estilhaços. O caso chama atenção pelo risco envolvido: não se tratava de objetos leves, mas de elementos estruturais capazes de causar morte, caso atingissem diretamente uma pessoa.
Apartamento desaba com moradores dentro e prédio é interditado, na Paraíba
Outro episódio grave foi registrado no bairro do Bessa, em João Pessoa, no dia 1º de janeiro. Um apartamento desabou parcialmente enquanto moradores estavam dentro do imóvel, incluindo uma mãe e suas duas filhas, que conseguiram sair a tempo.
O Corpo de Bombeiros isolou o prédio, que possui 13 apartamentos. Apesar de não haver feridos, veículos estacionados foram atingidos. A moradora do imóvel relatou que já havia reclamações recorrentes à administradora sobre rachaduras e fissuras, inclusive com registros fotográficos feitos dias antes do desabamento, justamente no apartamento atingido.
O caso expõe um ponto crítico: sinais de alerta estavam visíveis e documentados, mas não houve intervenção preventiva suficiente para evitar o colapso da estrutura.
Fachada com risco em Guarapari
No Espírito Santo, um internauta flagrou problemas estruturais em um prédio localizado no Centro de Guarapari. Em vídeo postado no Campos Ocorrências, as imagens mostram desprendimento de pastilhas e deterioração da fachada, situação que representa risco tanto para moradores quanto para pedestres que circulam na região.
Casos como esse são comuns em edificações mais antigas e reforçam a necessidade de monitoramento contínuo das fachadas, uma das áreas mais expostas às ações do tempo e à corrosão.
Manutenção predial não é gasto, é prevenção
Os três episódios, ocorridos em cidades diferentes e em um curto intervalo de tempo, têm um ponto em comum: a ausência ou falha na manutenção preventiva. Especialistas alertam que rachaduras, fissuras, infiltrações, estufamento de revestimentos e queda de pastilhas não são problemas estéticos, mas sinais claros de que algo não vai bem na estrutura da edificação.
A legislação e as normas técnicas recomendam que condomínios realizem vistorias periódicas com profissionais habilitados, como engenheiros e arquitetos, além de manterem um plano de manutenção atualizado. Síndicos e administradoras têm papel fundamental nesse processo, assim como os próprios moradores, que devem comunicar imediatamente qualquer anormalidade observada.
Tragédias anunciadas podem ser evitadas
Os episódios registrados durante as festas de fim de ano reforçam uma pergunta incômoda, mas necessária: é preciso esperar uma tragédia para que providências sejam tomadas? A resposta, do ponto de vista técnico e humano, é não.
A manutenção predial é uma medida de segurança coletiva. Ignorar sinais de alerta pode custar patrimônio — e, em casos mais graves, vidas. O fim de ano passou, mas o alerta permanece: cuidar da estrutura dos prédios é cuidar das pessoas que vivem e circulam ao redor deles.

