Imagine entrar em um elevador, como você faz rotineiramente. As portas fecham, a cabine começa a subir e, em poucos segundos, você chega ao seu andar. Tudo parece normal. Mas e se, naquele momento, existisse uma falha que ninguém identificou?
Essa é uma das questões que mais me preocupam quando falamos de segurança em elevadores. Porém, frequentemente, o problema só ganha atenção quando deixa de ser uma possibilidade e se transforma em uma ocorrência.
Ao longo dos anos trabalhando com elevadores, aprendi que segurança não pode ser medida apenas pela ausência de acidentes. Um equipamento pode funcionar todos os dias, transportar centenas de pessoas e, ainda assim, apresentar sinais de desgaste ou falhas que não são percebidos por quem o utiliza.
A principal complicação é que, quando uma irregularidade só é identificada depois de uma pane, um acidente ou uma interdição, o custo costuma ser muito maior. E não falo apenas de dinheiro.
Um elevador parado afeta a rotina de moradores, funcionários, empresas e visitantes. Em um condomínio, pode significar transtornos para idosos, pessoas com deficiência e famílias com crianças. Quando ocorre um contratempo no âmbito de segurança, entram em cena ainda os custos de reparo emergencial, eventuais multas, responsabilidades e, principalmente, o risco à integridade das pessoas.
Por isso, defendo que a manutenção preventiva seja acompanhada de uma avaliação independente da condição do equipamento. São trabalhos diferentes e complementares. A manutenção tem papel fundamental para conservar o elevador em funcionamento. Já uma auditoria técnica pode ajudar a identificar se os serviços realizados, os componentes instalados e as condições gerais do equipamento estão de acordo com os requisitos de segurança e funcionamento.
Também considero importante mudar a percepção comum de que a inspeção é uma despesa desnecessária ou uma tentativa de criar problemas onde eles não existem. Pelo contrário. Quanto mais rápido uma anormalidade é identificada, maiores são as possibilidades de planejar sua correção, comparar alternativas e evitar que uma situação pequena se transforme em uma emergência de grandes e dispendiosas proporções.
Outro ponto que merece atenção é a documentação. Histórico de manutenções, registros de ocorrências, laudos e informações sobre substituição de componentes formam uma espécie de prontuário do elevador. Esses dados ajudam a entender o comportamento do equipamento ao longo do tempo e tornam a tomada de decisão muito mais segura.
Na minha visão, segurança em elevadores começa justamente antes da emergência. Esperar uma falha para descobrir que havia um problema significa aceitar que o risco faça parte da rotina.
Prevenir representa mais economia do que gasto. Entretanto, descobrir tarde uma falha pode representar dispêndio ainda maior. E, quando estamos falando de um equipamento que transporta pessoas diariamente, o maior custo possível é aquele que nenhum condomínio deveria estar disposto a pagar.
* Rafael Sampaio é formado em Publicidade e Propaganda e em Direito, com pós-graduação em Comunicação e Marketing e em Gestão de Projetos pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Fundador da Arsenal Elevadores, empresa referência em auditoria técnica para elevadores, escadas e esteiras rolantes.
