O Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, traz à tona um tema que também deve ser observado dentro dos condomínios: a convivência comunitária e o cuidado com a saúde mental. Os espaços coletivos podem ser ambientes de apoio e acolhimento, mas também de conflitos, isolamento e tensão.
Segundo o Dr. Felipe Faustino, advogado especialista em direito condominial e sócio do escritório Faustino e Teles, os síndicos têm um papel relevante na promoção de um ambiente saudável.
“O síndico não é psicólogo ou médico, mas como gestor da comunidade condominial, ele tem a responsabilidade de promover um clima de respeito e diálogo. Conflitos mal administrados, perseguições ou até a ausência de comunicação podem gerar desgastes emocionais sérios”, explica.
Síndico: incentivador do diálogo e da convivência saudável
Embora o síndico não tenha obrigação legal de tratar da saúde mental dos condôminos, sua gestão impacta diretamente no clima do condomínio.
– Mediação de conflitos: agir de forma neutra e buscar o diálogo antes que pequenas divergências se tornem grandes problemas.
– Ambiente comunitário: estimular campanhas internas de respeito, convivência e empatia entre os moradores.
– Comunicação clara: quanto mais transparente for a administração, menor é o espaço para desconfiança, boatos e tensões.
Dr. Felipe reforça:
“O síndico que promove a convivência harmoniosa contribui indiretamente para a saúde mental dos condôminos. O condomínio deve ser um espaço de acolhimento, não de hostilidade.”
Moradores: corresponsáveis no cuidado
A prevenção também depende da postura dos moradores. Atitudes simples podem fazer a diferença:
– Cumprimentar vizinhos e criar laços de confiança.
– Evitar fofocas ou hostilidade que gerem isolamento social.
– Participar das assembleias de forma construtiva, buscando soluções coletivas.
– Estar atento a sinais de sofrimento e, quando possível, oferecer escuta ou sugerir ajuda profissional.
Atitudes práticas para os condomínios no Setembro Amarelo
1. Campanhas de conscientização: fixar cartazes informativos nos murais ou enviar comunicados digitais com contatos de apoio (CVV – 188).
2. Eventos comunitários: promover palestras ou rodas de conversa com especialistas, incentivando o diálogo.
3. Espaços de convivência: estimular o uso saudável de áreas comuns, criando oportunidades de socialização.
4. Canal de comunicação: disponibilizar meios seguros para que moradores relatem problemas de convivência ou situações de risco.
Conclusão
O Setembro Amarelo nos condomínios não significa transformar síndicos em profissionais de saúde, mas sim reconhecer a importância da convivência respeitosa na preservação do bem-estar coletivo.
Dr. Felipe Faustino finaliza:
“A legislação garante direitos e deveres de todos os condôminos, mas a empatia vai além da lei. Síndicos e moradores que cultivam respeito e solidariedade ajudam a prevenir o sofrimento e a tornar os condomínios espaços mais humanos e acolhedores.”
Dr. Felipe Faustino
Advogado Especialista em Direito Condominial
Sócio do Escritório Faustino e Teles
