Um dia após participar de um curso de primeiros socorros promovido pelo condomínio Royal Boulevard, em Campos dos Goytacazes, o vigilante Renan Matos da Silva, 30 anos, precisou colocar em prática, em uma situação real, tudo o que havia aprendido. E a rapidez no atendimento foi decisiva para salvar a vida de um trabalhador de 42 anos que sofreu um infarto dentro do residencial.
O caso aconteceu na última sexta-feira. Segundo Renan, ele fazia uma ronda de moto pelo condomínio quando foi chamado por um trabalhador da obra informando que um homem estava passando mal. Ao chegar ao local, encontrou a vítima já desfalecida.
“Quando cheguei lá, ele já estava sem reação. Conferi respiração, batimentos e as pupilas, exatamente como aprendi no curso. Não tinha nada. Então comecei a reanimação na hora”, contou.
O vigilante iniciou imediatamente as manobras de RCP (reanimação cardiopulmonar) e permaneceu fazendo a massagem cardíaca por cerca de 20 minutos, até a chegada do Corpo de Bombeiros, que deu continuidade ao atendimento por mais 40 minutos.
“Os primeiros minutos são fundamentais. Você precisa manter a circulação do sangue no cérebro para evitar sequelas e aumentar as chances de sobrevivência”, destacou Renan.
O trabalhador foi socorrido com vida e encaminhado ao hospital. Segundo informações repassadas posteriormente ao vigilante, ele sofreu um infarto causado por obstrução em uma das veias do coração. O homem passou por procedimentos médicos, incluindo colocação de stent, e segue em recuperação.
Renan afirma que o treinamento fez toda a diferença para que ele conseguisse agir com tranquilidade no momento da emergência.
“A gente pensa que nunca vai precisar usar. Fiz o curso na quinta-feira e a ocorrência aconteceu na sexta. Foi algo que me marcou muito. Se eu não tivesse sido capacitado, talvez as chances dele fossem muito menores até a chegada do resgate”, afirmou.
O síndico do Royal Boulevard, Leonardo Soares, explicou que a decisão de promover o curso surgiu da preocupação em preparar funcionários para situações de emergência dentro do condomínio, especialmente em áreas como piscinas e academia.
“As pessoas cobravam a compra de equipamentos, mas não adianta ter o equipamento sem ter pessoas treinadas para usar. O treinamento é fundamental”, destacou.
Inicialmente, a ideia era capacitar apenas os profissionais da academia, mas o condomínio decidiu ampliar o curso para os vigilantes, que permanecem no local 24 horas por dia.
“Pensamos: quem está aqui o tempo todo? Os vigilantes. Então estendemos o treinamento para eles também. E vimos agora, na prática, como isso foi importante”, afirmou Leonardo.
O condomínio conta atualmente com equipamentos de primeiros socorros distribuídos em pontos estratégicos, além de profissionais capacitados para o atendimento inicial em casos de emergência.
Para o síndico, o episódio reforça a importância de condomínios investirem não apenas em estrutura, mas também em capacitação humana.
“Tempo é fundamental nesses casos. Existem muitos condomínios com idosos, academias, piscinas. Ter pessoas preparadas pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte”, concluiu.
