Um ano após o assassinato do subsíndico Vinícius da Silva Azevedo, morto dentro do condomínio Mais Parque Ipê, em Campos dos Goytacazes, o processo ainda não teve um desfecho. O crime, que ganhou repercussão nacional e marcou o setor condominial brasileiro, segue dependendo da conclusão de um exame de sanidade mental do acusado – o morador José Renato Costa – para avançar na Justiça.
O homicídio aconteceu em 26 de fevereiro de 2025, após um desentendimento entre o subsíndico e o morador, motivado por um vazamento no apartamento do acusado.
O autor atirou várias vezes contra a vítima. O primeiro tiro teria acontecido ainda no corredor do prédio e, mesmo com Vinícius caído, o morador ainda deu coronhadas em sua cabeça e, em seguida, tentou sair a pé pela portaria, mas foi detido por vizinhos.
Subsíndico assassinado por morador no pátio de condomínio em Campos dos Goytacazes
O síndico Luan Baritiello relatou à época que o morador já apresentava problemas de comportamento, mas nunca algo que se imaginasse que chegaria a este ponto. Ele morava sozinho no apartamento do pai.
De acordo com a polícia, a ficha criminal de José Renato inclui antecedentes por lesão corporal e ameaça em contexto de violência doméstica, importunação sexual, coação no curso do processo, disparo e posse ilegal de arma de fogo, além de tentativa de furto.
Vídeo exclusivo: Síndico conta detalhes sobre assassinato do subsíndico no condomínio em Campos
Andamento do processo depende de exame de sanidade
A segunda audiência de instrução e julgamento foi realizada em junho do ano passado, no Fórum Maria Tereza Gusmão, em Campos. O réu participou por videoconferência e optou por permanecer em silêncio.
Na ocasião, foram ouvidos um policial militar que esteve presente no dia da ocorrência e um bombeiro que reside no mesmo andar onde começou a discussão. Com os depoimentos já colhidos, não há novas oitivas previstas neste momento.
A defesa solicitou a instauração de incidente de insanidade mental, alegando possível transtorno psíquico do acusado. O pedido foi autorizado, mas o exame ainda não foi realizado. Sem o laudo pericial, o processo não pode avançar para a fase que decidirá se o caso será submetido ao Tribunal do Júri.
O acusado segue detido.
Um caso que mudou a rotina do condomínio
Passado um ano, o impacto ainda é sentido entre os moradores. O episódio levou à revisão de procedimentos internos, reforço na comunicação entre condôminos e maior atenção às medidas de segurança, como contou o síndico Luan Baritiello durante a 6a Expo Meu Condomínio, que ocorreu em novembro último.
Durante o evento, o síndico Luan destacou que, apesar do trauma, houve maior união entre os moradores e um esforço coletivo para fortalecer o diálogo e prevenir conflitos.
