Um dos últimos terrenos disponíveis para novas construções na Avenida Antônio Carlos, no Centro do Rio, poderá finalmente receber um empreendimento residencial. Após 12 anos de negociações, o Iphan emitiu parecer favorável ao projeto das incorporadoras SIG e Performance, que prevê um condomínio com duas torres e entre 500 e 700 apartamentos.
O empreendimento será incluído no Reviver Centro e ocupará um terreno de aproximadamente 3,4 mil m², vizinho ao complexo da Santa Casa da Misericórdia. A proposta prevê duas torres separadas por um espaço livre, formando uma espécie de boulevard, com área aberta voltada para a circulação de pedestres e para a valorização do entorno histórico.
A
área é de propriedade da SIG, da Performance e da própria Santa Casa, que participa do negócio como permutante e ficará com parte das lojas e dos apartamentos do empreendimento.
A proximidade com imóveis tombados foi justamente um dos principais pontos de discussão ao longo dos últimos anos. A área fica cercada por três bens protegidos pelo Iphan, que inclui além da instituição hospitalar, a antiga sede do Ministério da Fazenda e a Igreja de Santa Luzia.
“É fundamental que esse processo aconteça em diálogo com a história da cidade. O projeto valoriza o conjunto arquitetônico da Santa Casa e mostra que desenvolvimento e preservação do patrimônio podem caminhar juntos” afirmou Renato Leite, CEO da Performance, ao DIÁRIO DO RIO.
Projeto mudou ao longo das negociações
Quando as tratativas com o Iphan começaram, a proposta era diferente. O terreno receberia um empreendimento comercial, com lajes corporativas. Segundo Otávio Grimberg, fundador e presidente da SIG Engenharia, empresas dos setores de óleo e gás chegaram a ser consideradas como potenciais ocupantes. O projeto previa, inicialmente, um único bloco, ocupando o terreno de ponta a ponta. Com o avanço das negociações e, posteriormente, a criação do Reviver Centro, o desenho foi reformulado.
A principal mudança foi a criação de um espaço livre entre as duas torres, justamente para preservar a visibilidade do conjunto histórico. “Terá um espaço livre entre as torres para permitir que aquele que passar pela área possa observar o prédio da Santa Casa na Rua Santa Luzia, valorizando o imóvel como patrimônio histórico. Nós já demos entrada no projeto na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU). A partir da aprovação, a expectativa é que a obra dure entre 24 e 30 meses”, explicou Grimberg.
Pelas regras definidas nas negociações com o Iphan, as duas torres não poderão ultrapassar 64 metros de altura. O limite toma como referência o prédio da antiga sede do Ministério da Fazenda, localizado em frente ao terreno. O projeto é da RAF Arquitetura.
Para o órgão, a construção de novos empreendimentos no entorno de imóveis tombados é possível, desde que sejam respeitados os critérios de preservação. “A presença de novos empreendimentos no entorno de imóveis tombados é possível, desde que os projetos atendam aos critérios de preservação e não comprometam a ambiência e a visibilidade dos bens protegidos”, afirmou o instituto em nota oficial.
