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Meu Condomínio > Blog > Cidades > Síndica vira ré por injúria racial contra empregada doméstica em condomínio de Porto Alegre
Cidades

Síndica vira ré por injúria racial contra empregada doméstica em condomínio de Porto Alegre

Redação
Atualizado pela última vez em: 01/11/2023 13:57
Redação
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4 minutos de leitura
Prédio do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (Foto: divulgação CNJ
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O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) aceitou a denúncia do Ministério Público (MP) pelos crimes de injúria racial e perseguição praticados pela síndica de um condomínio de Porto Alegre, Cintia Maria Schindler, contra a empregada doméstica que trabalha para um dos moradores, uma mulher negra de 48 anos.
A equipe de reportagem tentou contato com a defesa de Cintia, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Em Campos dos Goytacazes aconteceu caso semelhante (veja aqui). Uma idosa de 74 anos registrou boletim de ocorrência contra a síndica do condomínio em que reside por racismo. A mulher teria dito que a senhora tinha “cabelo pixaim”.

A Polícia Civil não divulga informações sobre o caso devido a um protesto da categoria. A reportagem apurou, no entanto, que o registro policial foi feito pela empregada em 3 de novembro de 2022.

Na ocasião, ela disse que há pelo menos um ano era ofendida pela síndica do Condomínio Edifício San Remy com expressões como “negra suja e imunda”. Além disso, que era proibida por ela de frequentar áreas comuns do edifício, como hall, elevador e garagem. Também não podia entrar no espaço pela porta da frente – somente pelos fundos.

O advogado que defende a empregada, Diego Cândido, conta que a sua cliente trabalha no local há sete anos, mas há 23 para a moradora do condomínio. Ele foi contratado com o apoio da empregadora da sua cliente. Ele diz que as ofensas teriam começado quando a síndica assumiu a função.

“Houve uma situação em que a empregadora dela viajou e deixou uma procuração para que ela [a cliente] representasse ela na reunião de condomínio. Nessa reunião, ela [a síndica] disse que [a cliente] não tinha direito de voto, que não poderia falar, que era apenas uma empregada doméstica, e a xingou com ofensas racistas. A partir de então, foram instaladas câmeras para parte interna do condomínio, elevador, entrada. Cada vez que [a cliente] entrava, a sindica esperava ela no elevador ou perseguia dizendo que não poderia usar o elevador”, conta Cândido.

A síndica, Cintia, foi chamada para prestar depoimento à Polícia Civil, mas ela não compareceu. Em março deste ano, ela foi indiciada por injúria qualificada discriminatória, com uso de elementos referentes a raça, cor, etnia e origem.

Processo civil
Em paralelo ao processo criminal, há um processo civil movido por Cândido em nome da empregada doméstica.

“Acabei ingressando com um processo contra ela e o condomínio porque o conselho está ciente. A vítima, várias vezes, pediu ajuda e eles acabaram apoiando a síndica e reelegendo ela”, afirma Cândido.

Segundo o advogado, houve um episódio em que sua cliente reclamou das ofensas e não teria recebido nenhum suporte. Inclusive, a síndica teria dito que ela havia feito a denúncia em um local errado, que “o correto era o Ibama, pois é onde defendem macacos”.

A ação é por danos morais contra a síndica por conta das agressões e contra o condomínio porque não teria feito nada apesar de estar ciente das ofensas.

 

Fonte G1

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